PES (AyA)

PES (AyA)
Pesquisas e Experiências Subjetivas Anarkia y Ayahuasca Entre Parênteses

novo depoimento (o quinto deste blog)

Dia 09/03 tomei minha quinta dose do chá, numa sessão que teve um total de 10 'navegantes'. Comparando as cinco experiências que tive sinto que minha relação com o chá vem melhorando, ou de outra forma, minhas borracheiras tem sido cada vez melhores, e essa última foi maravilhosa!Sinto em mim, e acredito que isso se passa com todos, que minhas borracheiras dizem muito sobre o momento que vivo, de que forma levo minhas coisas e a vida. Elas variam fortemente, em qualidade e beleza, em função do meu momento. E o momento atual que vivo é especial. Além de estar na fase final de meu grupo de Somaiê (grupo BH2), iniciei a dois meses minha formação teórica e prática como somaterapeuta.Vejo a Somaiê como uma técnica terapêutico-padagógica que tem um arcabouço de idéias e teorias que lhe dão forma e conteúdo. Nessa última sessão de ayahuasca minha borracheira foi, de certa forma, experimentar essas idéias e teorias . Mais que isso, também observá-las em mim e nas pessoas.Acredito que o mundo e a vida, o que cada um reconhece como realidade, é uma projeção subjetiva relativa a um histórico de vida. O que eu acredito, o que reconheço como o ato de viver, o que sinto ser real, é o saldo de pouco mais de 26 anos de experências... Experiências! Nessa última borracheira a grande brincadeira foi relativizar essas idéias e teorias, que norteiam a Somaiê e a mim, como o saldo de experiências de homens que criticaram os valores que direcionam a vida humana.Sob o efeito do chá tive no corpo a sensação de ter me separado do mundo e de toda a vida no planeta, como se tivesse me destacado, desgarrado de tudo e todos, vivendo só em mim e tendo como referência apenas o que se passava em mim. Isso me dava a sensação de ser um 'observador' da vida, especialmente a da espécie humana. E dessa posição de 'observador' eu observava, observava o comportamento humano e dele extraia as idéias e teorias de homens que se destacaram assumindo a posição de 'observadores', e que dessa posição eleboraram idéias e teorias que propunham caminhos para que os outros também pudessem se destacar e assumir a posição de 'observadores'.Mais ainda, dessa posição eu podia me observar como 'observador', e dessa observação concluia que essa posição só poderia ser orientada por cinco dimensões, as quatro usuais de espaço-tempo e mais uma que Roberto Freire descobriu ser o tesão, por ele defendido em seu livro Sem tesão não há solução.Sei que muitos poderiam interpretar o que tive como uma experiência transcendental com algo além de nós, divino, espiritual, ou coisa do gênero. Mas sou desse planeta, sou um animal homem e acredito no físico e biológico. E acredito, como já disse, que qualquer interpretação é uma projeção relativa a uma vida de experiências. E é isso o que diz minha vida de experiências.Também acredito que a ayahuasca não me dá nada, não gera em mim nada do que experimento na borracheira. Acredito que ela é uma bebida natural cujas substâncias propiciam a mim, através de processos bioquímicos, a possibilidade de liberar e potencializar o que já existe em mim e o que busco no meu cotidiano, sair do estado de normopatia, na linguagem da Gestalt-terapia, e não ser mais um Zé Ninguém, na visão de Wilhelm Reich. Prefiro assumir a responsabilidade de tudo que se passa em mim como construção minha. E se por meio da ayahuasca tudo isso se clareou, é porquê estou no caminho certo, apesar de ser um caminho sem destino nesse vôo ao infinito desconhecido.Termino com uma bela poesia cantada por Gilberto Gil.
Dentro de si mesmo
Mesmo que lá fora
Fora de si mesmo
Mesmo que distante
E assim por diante
De si mesmo, ad infinitum
Tudo de si mesmo
Mesmo que pra nada
Nada pra si mesmo
Mesmo porque tudo
Sempre acaba sendo
O que era de se esperar
LUCAS - 55º PES (AyA) - Beagá

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