No BAMBU, restaurante e espaço cultural
na esquina do Poção de 7 m da Maromba
31 de dezembro - mão ressonante azul
Das 20h as 2h da manhã
taxa de 50 reais (primeira vez nos PES)
ou de 40 reais, para quem já bebeu...
Mais 15 reais de alimentação...
(24) 9297-4065
77 PES (AyA) em Belo Horizonte
75 PES (AyA) em Visconde de Mauá - 1º/nov./2010
Acontecerá na segunda-feira, 1º de novembro de 2010
a 75ª Sessão de Ayahuasca do PES (AyA).
Taxas:
primeira vez: 50 reais (30 chá, 10 entrevista e 10 espaço)
já bebeu nos PES (AyA): 40 reais (30 chá e 10 espaço)
Local:
Restaurante e Espaço Cultural BAMBU
ao lado do Poção de 7m da Maromba
horário:
19h - Papo
20h - Beber
21h-21h30 - repetição optativa
24h-25h - fim da sessão e papos
Rui (24) 9297-4065
74 PES (AyA) em Sampa - 23 de outubro de dia
No sábado, 23 de outubro de 2010,
lua cheia,
estaremos fazendo uma SESSÃO de AYAHUASCA,
conduzida por RUI TAKEGUMA
durante o DIA
nos encontraremos as 14h no ESPAÇO CULTURAL TENDAL DA LAPA para a
divisão nos carros,
e vamos juntos para o sítio (uns 50 minutos pela Castelo Branco)
entre Itapevi e Araçariguama.
18h CONVERSA pré-sesão
18:30 Início da Sessão (beber a ayanhuasca)
22h30 fim de sessão
23h VOLTA para São Paulo
Taxas:
Participa pela primeira vez dos PES (AyA) - 60 reais (10 entrevista, 35 chá e 15 espaço)
Já Participou dos PES (AyA) - 50 reais (35 chá e 15 espaço)
É NECESSÁRIO A CONFIRMAÇÃO ANTECIPADA,
POR EMAILS OU FONE
rui.takeguma@gmail.com
(11) 7662-5322 ou (24) 9297-4065




lua cheia,
estaremos fazendo uma SESSÃO de AYAHUASCA,
conduzida por RUI TAKEGUMA
durante o DIA
nos encontraremos as 14h no ESPAÇO CULTURAL TENDAL DA LAPA para a
divisão nos carros,
e vamos juntos para o sítio (uns 50 minutos pela Castelo Branco)
entre Itapevi e Araçariguama.
18h CONVERSA pré-sesão
18:30 Início da Sessão (beber a ayanhuasca)
22h30 fim de sessão
23h VOLTA para São Paulo
Taxas:
Participa pela primeira vez dos PES (AyA) - 60 reais (10 entrevista, 35 chá e 15 espaço)
Já Participou dos PES (AyA) - 50 reais (35 chá e 15 espaço)
É NECESSÁRIO A CONFIRMAÇÃO ANTECIPADA,
POR EMAILS OU FONE
rui.takeguma@gmail.com
(11) 7662-5322 ou (24) 9297-4065
17 de setembro de 2010 SP
parte do bate-papo ligando o corpo (ar) ao espírito (ayahuasca), nas vozes de Rui Takeguma e Dr. Wilson GonzaGa e Dr. José Ângelo Gaiarsa
vídeos no youtube (em breve vai a palestra inteira)
http://www.youtube.com/watch?v=ppfzZwifxWY (25 segundos)
http://www.youtube.com/watch?v=BB9UiHf1SBM (4 min. 05 seg.)
http://www.youtube.com/watch?v=LEE5MRv2RMg (12 min. 54 seg.)
http://www.youtube.com/watch?v=w_NQ7_FHtAA (52 segundos)
vídeos no youtube (em breve vai a palestra inteira)
http://www.youtube.com/watch?v=ppfzZwifxWY (25 segundos)
http://www.youtube.com/watch?v=BB9UiHf1SBM (4 min. 05 seg.)
http://www.youtube.com/watch?v=LEE5MRv2RMg (12 min. 54 seg.)
http://www.youtube.com/watch?v=w_NQ7_FHtAA (52 segundos)
Te&So em BH - outubro 2010 e SESSÃO de AYAHUASCA em SAMPA

No sábado, 23 de outubro de 2010,
lua cheia,
estaremos fazendo uma SESSÃO de AYAHUASCA,
conduzida por RUI TAKEGUMA
durante o DIA
nos encontramos as 12h na estação do Metrô BARRA FUNDA
divisão nos carros,
e vamos juntos para o sítio (uns 50 minutos pela Castelo Branco)
entre Itapevi e Araçariguama.
13h conhecer o local e relaxada
13:30 CONVERSA pré-sesão
14:30 Início da Sessão (beber a ayanhuasca)
15:30/16h Repetição optativa
19h/19h30 fim de sessão
19h30 CONVERSA pós-sessão junto a lanche coletivo
22h/22h30 VOLTA para São Paulo
Taxas:
Participa pela primeira vez dos PES (AyA) - 65 reais (15 entrevista, 35 chá e 15 espaço)
Já Participou dos PES (AyA) - 50 reais (35 chá e 15 espaço)
É NECESSÁRIO A CONFIRMAÇÃO ANTECIPADA,
POR EMAILS OU FONE
rui.takeguma@gmail.com
(11) 7662-5322 ou (24) 9297-4065
Ayahuasca em BH - 4 de setembro
71º Sessão de PES (AyA)
sábado dia 4/09/10 em BH
info.31-88608566 ou 31-9769-5308
sábado dia 4/09/10 em BH
info.31-88608566 ou 31-9769-5308
68 PES (AyA) em Visconde de Mauá
68 PES (AyA)
sessão em Maromba, domingo, 25 de julho, 0h
no BAMBU, Restaurante e Espaço Cultural,
ao lado do Poção de 7m da Maromba,
quem se interessar, me ligue 24-9297-4065
Dia Fora do Tempo
Semente Auto-Existente Amarela
sessão das 0h até o dia raiar
sessão em Maromba, domingo, 25 de julho, 0h
no BAMBU, Restaurante e Espaço Cultural,
ao lado do Poção de 7m da Maromba,
quem se interessar, me ligue 24-9297-4065
Dia Fora do Tempo
Semente Auto-Existente Amarela
sessão das 0h até o dia raiar
um pouco de pesquisa sobre a DMT, presente na Ayahuasca...
http://www.youtube.com/watch?v=kLJkm8BwQV8
a confirmar - 67 PES (AyA) em Mauá dia 26 junho sábado
67 Sessão das Pesquisas e Experiências Subjetivas Anarkia y Ayahuasca entre parênteses
Visconde de Mauá
Maromba
Poção de 7 m
REC BAMBU
a noite
taxa de 50 reais (primeira vez)
e 40 reais para quem já participou
vamos tentar fazer uma sauna juntos antes da sessão
Rui (24) 9297-4065
Visconde de Mauá
Maromba
Poção de 7 m
REC BAMBU
a noite
taxa de 50 reais (primeira vez)
e 40 reais para quem já participou
vamos tentar fazer uma sauna juntos antes da sessão
Rui (24) 9297-4065
66 PES (AyA) em Visconde de Mauá
Maromba - No BAMBU - restaurante e espaço cultural
23h conversa
24h beber a ayahuasca
taxa de 50 reais
24-9297-4065
23h conversa
24h beber a ayahuasca
taxa de 50 reais
24-9297-4065
64 PES (AyA) em Beagá
63 PES (AyA) na Grande SP - Itapevi/Araçariguama
(FOTOS DO 63 PES (AyA) com 12 pessoas)
MUDANÇAS de HORÁRIO:
dia 22 de maio de 2010
SÁBADO
das 14h as 22h
sendo que :
NOS ENCONTRAMOS NA BARRA FUNDA as 12h,
DE CARRO até chegar no sítio (uns 40 minutos),
13h - bate papo e inscrições
15h - beber ayahuasca
15h as 20h/21h - sessão (com repetição)
20h/21h - 22h- papos e comes e bebes
22h-23h saída pra Sampa
Taxas -
5 reais de ESPAÇO
30 reais para quem já participou dos PES (AyA)
40 reais para a primeira participação nos PES (AyA)
levar algo para compartilhar de comes e bebes...
levar roupa de frio...
Vou passar o endereço, ou como chegar somente a quem confirmar antecipadamente...
em torno de 40 minutos de carro da Lapa, ou ir de trem até ITAPEVI
rui até 21/05/10 a tarde (24)9297-4065 e depois disso (11)7662-5322
62 PES (AyA) em Visconde de Mauá
Neste feriado de 1º de Maio, sábado, faremos em Visconde de Mauá, perto do Poção da Maromba, mais uma sessão de ayahuasca...
Interessados - (24) 9297-4065
http://p.e.s.vilabol.uol.com.br
a partir de agora, os ÂNCORAS (quem participa sem beber) pagam uma taxa de 10 reais para participar das sessões...
Novos - 50 reais (30 aya, 10 entrevista inicial e 10 para o espaço)
e para quem já bebeu nos PES (AyA) - 40 reais (30 aya e 10 para o espaço)
103 ex-virgens em Ayahuasca
103 Ex-virgens de Ayahuasca nos PES (AyA)
Como um dos critérios de pesquisa é saber se a pessoa que vai beber ayahuasca nos PES (AyA) já experimentou alguma vez a ayahuasca, tenho perguntado desde o início sobre o critério VIRGINDADE DE AYAHUASCA. Tenho anotado somente as pessoas que bebem comigo pela primeira vez, mas muitos também o fazem pela segunda ou terceira vez. Poucos das 191 pessoas que passaram pelos PES (AyA) são ayahuasqueiros experientes. Assim, meu ambiente de pesquisa se dá mais em como acontecem as reações primeiras em contextos variados.
Me interessa esse limite simbólico da perda da virgindade, em relação a essa bebida SOMAATIVA, pois como expectativa de uma bebida "alucinógena", "sagrada" o_u "mágica", esse transpor o limite da primeira experiência, para alguns, ultrapassa a expectativa em relação ao ato sexual, por exemplo, no que mais a palavra "virgindade" nos remete.
Assim, a principal característica de se perder a virgindade, se dá no conhecer algo, no aspecto prático e vivencial. Na sexualidade a maior parte das pessoas reproduz o que vive no cotidiano, um repetir monótono, após a perda da virgindade há pouco aprendizado ou crescimento da sexualidade, inclusive alguns viverão uma vida sexual inteira com pouca variação e novos conhecimentos. Como normalmente é o homem quem conduz o ato sexual, mulheres com pouca variedade de parceiros normalmente possuem muito mais conhecimento de formas de fazer sexo que um homem com grande variedade de parceiras que repete a cada nova parceira o "seu jeito". Apesar de esse "jeito individual" de cada um possuir variações, também possui uma forma padronizada e repetida, o que acaba gerando essa sensação de segurança, tornando muito diferente o ato sexual para um "virgem" e para um experiente. Um virgem pode até saber racionalmente o que pode e vai acontecer, mas ainda não viveu a experiência realmente. Quem já fez sexo pode estar mais aberto ou mais fechado a novas experiências, mas sabe a sensação da penetração e seus enlaces.
Vou agora comparar um pouco esse ato de adquirir um NOVO conhecimento com o aprendizado da capoeira angola.
Quando se deseja aprender a capoeira, já é pra estar na roda de capoeira, no jogo, canto e toques. Assim, existe a expectativa da primeira vez que se entra na roda, mas isso é minimizado no estilo angola, onde no primeiro dia o novato é convidado a entrar na roda, fazendo o que aprendeu no dia. No estilo contemporâneo, se cria a expectativa dos cordéis a serem conquistados em eventos com batizados. Mas o que marca a vida de um capoeirista é que cada roda em um local diferente, com mestres e pessoas diferentes, é uma NOVA roda. E que cada jogo que é feito com uma pessoa diferente é uma NOVA expectativa, e por mais que os jogadores sejam experientes, surge algo em que compartilham de uma virgindade, no caso, a primeira vez que jogam com aquela pessoa. Assim, na capoeira, é incentivado essa busca pelo novo, essa busca por jogar com pessoas diferentes, pois essas despertarão diferentes respostas em meu jogo e meu corpo.
Após esse navegar pela sexualidade e capoeira, volto ao tema proposto, a virgindade que observei em mais de 100 pessoas ao beberem ayahuasca. E, a partir da minha prática, que foi não só ver mais de 100 pessoas reagirem a ayahuasca em sessões que coordenei, mas acompanhar de dentro da mesma pesquisa algumas recorrências, como quem bebeu comigo pela primeira vez e depois bebeu mais 30 vezes, em 35 sessões que me viu coordenar, seja de pessoas que perderam a virgindade na ayahuasca comigo há 20 meses atrás e na sua segunda participação comigo já tiveram um experenciar de quase 10 vezes em ambientes diversos.
Assim, esse é um momento de refletir sobre o cruzar a fronteira na ayahuasca, no caso marcando o ocorrido com pessoas que vejo fazendo em vários níveis, e mesmo os que já haviam bebido a ayahuasca muitas vezes não tinham a liberdade pessoal e de contexto para melhor saborear seus efeitos. Assim, de certa maneira, todos somos virgens nas sessões dos PES (AyA), seja pela química da bebida na interação com os corpos, seja no contexto do espaço físico gerando expectativas e interações, seja no curso geral da sessão, suas músicas, falas e ocorridos com outros "navegantes", tudo influencia o aqui e agora das sessões e seu fluir.
Mas a ayahuasca se diferencia mais ainda dessas conjecturas teóricas que abordei, os extremos da percepção, seja por último numa visão filosófica de Heráclito, onde sabemos hoje via física quântica que nunca atravessamos duas vezes o mesmo rio, pois o fluir molecular sempre é novo, seja numa visão tradicional em que se vive uma vez, já se conhece as coisas conhecidas, perdendo a novidade. Ou seja, por mais que eu mude, ou as coisas mudem, transformo permanentemente as coisas em iguais (Wilhelm Reich denominou isso de couraça do caráter). Assim, no caso da ayahuasca, o beber SEMPRE é diferente, e por mais normopatas, encouraçados, e rígidos, a ayahuasca ultrapassa essa sensação de "controle" que pode ser sentido em outras situações de quebra da virgindade. Ou seja, na ayahuasca a relação expectativa versus vivência se mostra como um potencializador do VIVER. Não se pode antecipar a vivência, a experiência, a vida sempre se apresenta NOVA, Heraclitamente percebida ou não, a vida sempre é o novo, e sempre no aqui e agora.
Assim, a experiência química transforma nosso olhar e perceber mais apurado a ponto de sentirmos o que a física quântica ainda engatinha em suas percepções e possibilidades, a possibilidade de perceber como, primeiro, a experiência da "borracheira" é sempre única (borracheira é o nome que alguns ayahuasqueiros definem ser "estar sob os efeitos da ayahuasca"). Cada borracheira é a descrição prática e vívida de que sempre tudo MUDA e a mudança é o fluir da vida. Cada experiência aprendida numa borracheira pode não ser nunca mais esquecida, bem como não servir a nada como segurança para uma próxima borracheira e suas sensações. Assim, ao mostrar na prática como tudo é sempre novo, a experiência da virgindade ser superada não acontece no nível da expectativa da próxima vez, pois se sabe que tudo pode ser novo, e o fato de ter se perdido a virgindade não significa absolutamente nada, pois qualquer pessoa está vulnerável a PEIAS (bad's trips), sejam elas físicas ou racionais, se for possível essa separação.
Brincamos no ambiente ayahuasqueiro que SEMPRE é bom beber ayahuasca. Normalmente pela experiência, mas às vezes por parecer que SOBREVIVEMOS a ela. O que alguns chamam de Peias, podem ter uma expressão física imediata como enjoos, vômitos e caganeiras, bem como confusões mentais que podem ser mais internas ou externalisadas, muitas vezes incomodando o social de quem está próximo à experiência. Esse conhecer antecipado para quem vai beber a ayahuasca, somado a sua própria experiência, transforma o ato de beber em quase que um momento de sofrimento, seja pelo gosto da bebida, seja pela antecipação das possíveis peias advindas de sentir o gosto da bebida (ela entrando em meu ser e potencializando o que sou), como situações difíceis de engolir, isso se projeta antecipadamente para o momento de se beber a bebida. Assim, o gosto da ayahuasca se difere para os virgens dos não virgens. A primeira vez o novato experimenta o gosto da bebida ayahuasca, e da segunda vez em diante o gosto passa a ser da experiência ayahuasca - ou seja, a soma do gosto da bebida com o gosto do que ficou em meu ser.
Curioso que a única das 58 sessões que conduzi que denominei de sessão PEIA, foi devido a interação com uma pessoa que no início da sessão disse que era virgem na bebida, e no final comentou que já havia bebido em contexto religioso. E, por outro lado, uma situação que poderia se caracterizar como a mais problemática se mostrou um aprendizado dos efeitos da bebida e sua força, com um rapaz em BH que bebeu mais que o que lhe foi oferecido.
Enfim, houve momentos interessantes, pitorescos e variados, mas vejo como no geral e nos específicos os efeitos são benéficos. Seja em experiências totalmente internas, com pessoas que nem se mexem durante as 4 a 6h de sessão, como a de uma menina que riu e gargalhou por 4 horas, e no final analisou tudo como um grande orgasmo... Seja numa minoria que retorna e participa mais de uma vez nos PES (AyA), seja quem só participa uma vez, procuro estar atento a absorção e efeitos variados da ayahuasca em seus corpos. E, nesse quesito, é de 100% os efeitos produtivos, que vão desde um relaxar profundo muscular durante a sessão, e que em alguns se prolonga ao dia seguinte, passando por efeitos gastro-intestinais de limpeza e bem-estar e por aspectos emocionais mais superficiais, como sensação de bem estar, insights emocionais (tipo rever rancores e mágoas em situações específicas), insights terapêuticos (tomadas de decisões, ora importantes ou ora superficiais).
Mesmo eu, que estou em meu terceiro ano como coordenador de sessão, distribuindo chá para pessoas em geral, sinto que cada vez que faço alguma sessão ela possui alguma característica de novo. E nesse perceber e interagir entre o INTERNO (fluir da minha borracheira) e o EXTERNO (perceber e coordenar o fluir da borracheira da sessão) segue minha proposta de ARRISCAR pelo NOVO, me dispondo a ser um eterno virgem nesse quesito da segurança das sessões, em relação a fixar espaço, ritual, música, etc. Me arrisco a confiar sempre em como poderei responder a cada nova situação, e nisso incentivo a quem bebe ayahuasca comigo a descobrir e perceber para poder vivenciar e aceitar esse comando interno em meio ao caos externo.
Religiosamente chamamos isso de se conectar a Deus, ou deixar Deus vir a superfície, e nesse momento perdemos os medos e vem a entrega. Essa possibilidade numa sessão dos PES (AyA) acontece devido às entregas individuais, que são favorecidas pela sessão como um todo, mas é de cada pessoa a possibilidade de se entregar e gerar essa percepção da LUZ ou do chamado DIVINO. Muitas pessoas podem usar a ayahuasca e obterem resultados muito diferentes na avaliação da experiência, mas dependerá sempre PRIMEIRO da capacidade individual de se soltar e se entregar fisicamente a bebida e seus efeitos. Essa capacidade nem sempre tem a ver com o desejo de entrega, ou capacidade de entrega a outras situações do viver.
Assim, posso comparar o NOVO de cada sessão com o fluir das sessões passadas, que compartilho com as pessoas, e sobre as quais tenho escrito, incentivando também a escrita por outras pessoas. E anuncio também que, a partir de agora, vou atentar mais para essa minoria substanciosa que são os repetentes, pois apesar de eles constituírem pouco mais que 1/5 dos 191 participantes, são eles que geram eu ter distribuído 378 doses nessas 58 sessões (contagem líquida), ou seja, somando os âncoras (participantes que não bebem mas ficam na sessão), cheguei a 409 pessoas nos PES (AyA) (contagem bruta). Assim, essa diferença se deve a essas 44 pessoas que repetem mais 1x (16 pessoas), mais 2x (8 pessoas), mais 3x (8 pessoas), a pessoas que repetem os PES (AyA) de 5x a 35x (12 pessoas).
Por fim, registro que pessoas experientes na ayahuasca possuem uma forte tendência de gostar/preferir manter a forma inicial que aprendeu a beber ayahuasca. Pode ser por rigidez pessoal ou tendência geral a manter ritos, ou couraças, mas levanto esse quesito como ponto observado a ser registrado. Talvez com mais participantes com experiência em outros ritos eu possa enveredar por essa pesquisa, mas começo a perceber em pessoas que repetem a experiência somente nos PES (AyA) a também cristalizar desejos a partir de sessões anteriores, seja na via musical, ou na estrutura da sessão.
De qualquer maneira fica um marco, na segunda sessão alcancei 10 virgens, na sessão 58 alcanço 103 virgens, em que sessão alcançarei os 1000 virgens?
Rui Takeguma, poção da Maromba em 8 de abril de 2010.
site oficial - http://p.e.s.vilabol.uol.com.br
site de relacionamento - www.somaie.ning.com
blog - www.pesayahuasca.blogspot.com
observação pós publicação (28 de abril de 2010)
Acabei publicando este texto primeiro no NING e agora, 20 dias depois, publico neste BLOG.
Resolvi verificar nas estatísticas dos PES (AyA) essa relação entre VIRGENS na Ayahuasca e o "momento bola-da-vez" (deste início do ano, 3 revistas nacionais e semanais publicando matérias de CAPA, pela publicação no Diário Oficial e assassinato do Glauco). E se comprova o EFEITO POSITIVO da divulgação, pois aumentou a curiosidade e mais pessoas estão experimentando por si, a ayahuasca.
Neste ano de 2010, das 45 pessoas NOVAS que cadastrei, 33 eram Virgens (73 %). No ano de 2008, foram 16 virgens dos primeiros 45 (35%) e ano passado, 2009, foram 14 virgens dos primeiros 45 (31%). Vejam que a diferença não é pequena: DOBROU o número de pessoas que nunca haviam bebido a ayahuasca e tiveram comigo sua primeira experiência...
E neste final de Abril, atualizando os dados do texto acima, em 28 meses que distribuo a ayahuasca, distribuí 401 doses, para 198 pessoas (na contagem bruta, 434 participantes, pois houveram 33 âncoras nas 61 sessões).
Como um dos critérios de pesquisa é saber se a pessoa que vai beber ayahuasca nos PES (AyA) já experimentou alguma vez a ayahuasca, tenho perguntado desde o início sobre o critério VIRGINDADE DE AYAHUASCA. Tenho anotado somente as pessoas que bebem comigo pela primeira vez, mas muitos também o fazem pela segunda ou terceira vez. Poucos das 191 pessoas que passaram pelos PES (AyA) são ayahuasqueiros experientes. Assim, meu ambiente de pesquisa se dá mais em como acontecem as reações primeiras em contextos variados.
Me interessa esse limite simbólico da perda da virgindade, em relação a essa bebida SOMAATIVA, pois como expectativa de uma bebida "alucinógena", "sagrada" o_u "mágica", esse transpor o limite da primeira experiência, para alguns, ultrapassa a expectativa em relação ao ato sexual, por exemplo, no que mais a palavra "virgindade" nos remete.
Assim, a principal característica de se perder a virgindade, se dá no conhecer algo, no aspecto prático e vivencial. Na sexualidade a maior parte das pessoas reproduz o que vive no cotidiano, um repetir monótono, após a perda da virgindade há pouco aprendizado ou crescimento da sexualidade, inclusive alguns viverão uma vida sexual inteira com pouca variação e novos conhecimentos. Como normalmente é o homem quem conduz o ato sexual, mulheres com pouca variedade de parceiros normalmente possuem muito mais conhecimento de formas de fazer sexo que um homem com grande variedade de parceiras que repete a cada nova parceira o "seu jeito". Apesar de esse "jeito individual" de cada um possuir variações, também possui uma forma padronizada e repetida, o que acaba gerando essa sensação de segurança, tornando muito diferente o ato sexual para um "virgem" e para um experiente. Um virgem pode até saber racionalmente o que pode e vai acontecer, mas ainda não viveu a experiência realmente. Quem já fez sexo pode estar mais aberto ou mais fechado a novas experiências, mas sabe a sensação da penetração e seus enlaces.
Vou agora comparar um pouco esse ato de adquirir um NOVO conhecimento com o aprendizado da capoeira angola.
Quando se deseja aprender a capoeira, já é pra estar na roda de capoeira, no jogo, canto e toques. Assim, existe a expectativa da primeira vez que se entra na roda, mas isso é minimizado no estilo angola, onde no primeiro dia o novato é convidado a entrar na roda, fazendo o que aprendeu no dia. No estilo contemporâneo, se cria a expectativa dos cordéis a serem conquistados em eventos com batizados. Mas o que marca a vida de um capoeirista é que cada roda em um local diferente, com mestres e pessoas diferentes, é uma NOVA roda. E que cada jogo que é feito com uma pessoa diferente é uma NOVA expectativa, e por mais que os jogadores sejam experientes, surge algo em que compartilham de uma virgindade, no caso, a primeira vez que jogam com aquela pessoa. Assim, na capoeira, é incentivado essa busca pelo novo, essa busca por jogar com pessoas diferentes, pois essas despertarão diferentes respostas em meu jogo e meu corpo.
Após esse navegar pela sexualidade e capoeira, volto ao tema proposto, a virgindade que observei em mais de 100 pessoas ao beberem ayahuasca. E, a partir da minha prática, que foi não só ver mais de 100 pessoas reagirem a ayahuasca em sessões que coordenei, mas acompanhar de dentro da mesma pesquisa algumas recorrências, como quem bebeu comigo pela primeira vez e depois bebeu mais 30 vezes, em 35 sessões que me viu coordenar, seja de pessoas que perderam a virgindade na ayahuasca comigo há 20 meses atrás e na sua segunda participação comigo já tiveram um experenciar de quase 10 vezes em ambientes diversos.
Assim, esse é um momento de refletir sobre o cruzar a fronteira na ayahuasca, no caso marcando o ocorrido com pessoas que vejo fazendo em vários níveis, e mesmo os que já haviam bebido a ayahuasca muitas vezes não tinham a liberdade pessoal e de contexto para melhor saborear seus efeitos. Assim, de certa maneira, todos somos virgens nas sessões dos PES (AyA), seja pela química da bebida na interação com os corpos, seja no contexto do espaço físico gerando expectativas e interações, seja no curso geral da sessão, suas músicas, falas e ocorridos com outros "navegantes", tudo influencia o aqui e agora das sessões e seu fluir.
Mas a ayahuasca se diferencia mais ainda dessas conjecturas teóricas que abordei, os extremos da percepção, seja por último numa visão filosófica de Heráclito, onde sabemos hoje via física quântica que nunca atravessamos duas vezes o mesmo rio, pois o fluir molecular sempre é novo, seja numa visão tradicional em que se vive uma vez, já se conhece as coisas conhecidas, perdendo a novidade. Ou seja, por mais que eu mude, ou as coisas mudem, transformo permanentemente as coisas em iguais (Wilhelm Reich denominou isso de couraça do caráter). Assim, no caso da ayahuasca, o beber SEMPRE é diferente, e por mais normopatas, encouraçados, e rígidos, a ayahuasca ultrapassa essa sensação de "controle" que pode ser sentido em outras situações de quebra da virgindade. Ou seja, na ayahuasca a relação expectativa versus vivência se mostra como um potencializador do VIVER. Não se pode antecipar a vivência, a experiência, a vida sempre se apresenta NOVA, Heraclitamente percebida ou não, a vida sempre é o novo, e sempre no aqui e agora.
Assim, a experiência química transforma nosso olhar e perceber mais apurado a ponto de sentirmos o que a física quântica ainda engatinha em suas percepções e possibilidades, a possibilidade de perceber como, primeiro, a experiência da "borracheira" é sempre única (borracheira é o nome que alguns ayahuasqueiros definem ser "estar sob os efeitos da ayahuasca"). Cada borracheira é a descrição prática e vívida de que sempre tudo MUDA e a mudança é o fluir da vida. Cada experiência aprendida numa borracheira pode não ser nunca mais esquecida, bem como não servir a nada como segurança para uma próxima borracheira e suas sensações. Assim, ao mostrar na prática como tudo é sempre novo, a experiência da virgindade ser superada não acontece no nível da expectativa da próxima vez, pois se sabe que tudo pode ser novo, e o fato de ter se perdido a virgindade não significa absolutamente nada, pois qualquer pessoa está vulnerável a PEIAS (bad's trips), sejam elas físicas ou racionais, se for possível essa separação.
Brincamos no ambiente ayahuasqueiro que SEMPRE é bom beber ayahuasca. Normalmente pela experiência, mas às vezes por parecer que SOBREVIVEMOS a ela. O que alguns chamam de Peias, podem ter uma expressão física imediata como enjoos, vômitos e caganeiras, bem como confusões mentais que podem ser mais internas ou externalisadas, muitas vezes incomodando o social de quem está próximo à experiência. Esse conhecer antecipado para quem vai beber a ayahuasca, somado a sua própria experiência, transforma o ato de beber em quase que um momento de sofrimento, seja pelo gosto da bebida, seja pela antecipação das possíveis peias advindas de sentir o gosto da bebida (ela entrando em meu ser e potencializando o que sou), como situações difíceis de engolir, isso se projeta antecipadamente para o momento de se beber a bebida. Assim, o gosto da ayahuasca se difere para os virgens dos não virgens. A primeira vez o novato experimenta o gosto da bebida ayahuasca, e da segunda vez em diante o gosto passa a ser da experiência ayahuasca - ou seja, a soma do gosto da bebida com o gosto do que ficou em meu ser.
Curioso que a única das 58 sessões que conduzi que denominei de sessão PEIA, foi devido a interação com uma pessoa que no início da sessão disse que era virgem na bebida, e no final comentou que já havia bebido em contexto religioso. E, por outro lado, uma situação que poderia se caracterizar como a mais problemática se mostrou um aprendizado dos efeitos da bebida e sua força, com um rapaz em BH que bebeu mais que o que lhe foi oferecido.
Enfim, houve momentos interessantes, pitorescos e variados, mas vejo como no geral e nos específicos os efeitos são benéficos. Seja em experiências totalmente internas, com pessoas que nem se mexem durante as 4 a 6h de sessão, como a de uma menina que riu e gargalhou por 4 horas, e no final analisou tudo como um grande orgasmo... Seja numa minoria que retorna e participa mais de uma vez nos PES (AyA), seja quem só participa uma vez, procuro estar atento a absorção e efeitos variados da ayahuasca em seus corpos. E, nesse quesito, é de 100% os efeitos produtivos, que vão desde um relaxar profundo muscular durante a sessão, e que em alguns se prolonga ao dia seguinte, passando por efeitos gastro-intestinais de limpeza e bem-estar e por aspectos emocionais mais superficiais, como sensação de bem estar, insights emocionais (tipo rever rancores e mágoas em situações específicas), insights terapêuticos (tomadas de decisões, ora importantes ou ora superficiais).
Mesmo eu, que estou em meu terceiro ano como coordenador de sessão, distribuindo chá para pessoas em geral, sinto que cada vez que faço alguma sessão ela possui alguma característica de novo. E nesse perceber e interagir entre o INTERNO (fluir da minha borracheira) e o EXTERNO (perceber e coordenar o fluir da borracheira da sessão) segue minha proposta de ARRISCAR pelo NOVO, me dispondo a ser um eterno virgem nesse quesito da segurança das sessões, em relação a fixar espaço, ritual, música, etc. Me arrisco a confiar sempre em como poderei responder a cada nova situação, e nisso incentivo a quem bebe ayahuasca comigo a descobrir e perceber para poder vivenciar e aceitar esse comando interno em meio ao caos externo.
Religiosamente chamamos isso de se conectar a Deus, ou deixar Deus vir a superfície, e nesse momento perdemos os medos e vem a entrega. Essa possibilidade numa sessão dos PES (AyA) acontece devido às entregas individuais, que são favorecidas pela sessão como um todo, mas é de cada pessoa a possibilidade de se entregar e gerar essa percepção da LUZ ou do chamado DIVINO. Muitas pessoas podem usar a ayahuasca e obterem resultados muito diferentes na avaliação da experiência, mas dependerá sempre PRIMEIRO da capacidade individual de se soltar e se entregar fisicamente a bebida e seus efeitos. Essa capacidade nem sempre tem a ver com o desejo de entrega, ou capacidade de entrega a outras situações do viver.
Assim, posso comparar o NOVO de cada sessão com o fluir das sessões passadas, que compartilho com as pessoas, e sobre as quais tenho escrito, incentivando também a escrita por outras pessoas. E anuncio também que, a partir de agora, vou atentar mais para essa minoria substanciosa que são os repetentes, pois apesar de eles constituírem pouco mais que 1/5 dos 191 participantes, são eles que geram eu ter distribuído 378 doses nessas 58 sessões (contagem líquida), ou seja, somando os âncoras (participantes que não bebem mas ficam na sessão), cheguei a 409 pessoas nos PES (AyA) (contagem bruta). Assim, essa diferença se deve a essas 44 pessoas que repetem mais 1x (16 pessoas), mais 2x (8 pessoas), mais 3x (8 pessoas), a pessoas que repetem os PES (AyA) de 5x a 35x (12 pessoas).
Por fim, registro que pessoas experientes na ayahuasca possuem uma forte tendência de gostar/preferir manter a forma inicial que aprendeu a beber ayahuasca. Pode ser por rigidez pessoal ou tendência geral a manter ritos, ou couraças, mas levanto esse quesito como ponto observado a ser registrado. Talvez com mais participantes com experiência em outros ritos eu possa enveredar por essa pesquisa, mas começo a perceber em pessoas que repetem a experiência somente nos PES (AyA) a também cristalizar desejos a partir de sessões anteriores, seja na via musical, ou na estrutura da sessão.
De qualquer maneira fica um marco, na segunda sessão alcancei 10 virgens, na sessão 58 alcanço 103 virgens, em que sessão alcançarei os 1000 virgens?
Rui Takeguma, poção da Maromba em 8 de abril de 2010.
site oficial - http://p.e.s.vilabol.uol.com.br
site de relacionamento - www.somaie.ning.com
blog - www.pesayahuasca.blogspot.com
observação pós publicação (28 de abril de 2010)
Acabei publicando este texto primeiro no NING e agora, 20 dias depois, publico neste BLOG.
Resolvi verificar nas estatísticas dos PES (AyA) essa relação entre VIRGENS na Ayahuasca e o "momento bola-da-vez" (deste início do ano, 3 revistas nacionais e semanais publicando matérias de CAPA, pela publicação no Diário Oficial e assassinato do Glauco). E se comprova o EFEITO POSITIVO da divulgação, pois aumentou a curiosidade e mais pessoas estão experimentando por si, a ayahuasca.
Neste ano de 2010, das 45 pessoas NOVAS que cadastrei, 33 eram Virgens (73 %). No ano de 2008, foram 16 virgens dos primeiros 45 (35%) e ano passado, 2009, foram 14 virgens dos primeiros 45 (31%). Vejam que a diferença não é pequena: DOBROU o número de pessoas que nunca haviam bebido a ayahuasca e tiveram comigo sua primeira experiência...
E neste final de Abril, atualizando os dados do texto acima, em 28 meses que distribuo a ayahuasca, distribuí 401 doses, para 198 pessoas (na contagem bruta, 434 participantes, pois houveram 33 âncoras nas 61 sessões).
61ª PES (AyA) - 8ª de Belo Horizonte
acontece dia 26 de abril, segunda,
as 20h30 na CasaSomática
www.somaie.ning.com
taxa de 45 reais para que nunca participou, sendo q 5 é pra CASA
taxa de 35 reais para quem já participou dos PES (AyA), sendo q 5 é pra CASA
(desconto de 5 reais para quem participa frequentemente, isto é algumas vezes e PARTICIPOU da última em BH)
Pesquisas testam potencial benefício da ayahuasca contra depressão e dependência

Pesquisas testam potencial benefício da ayahuasca contra depressão e dependência
Cristina Almeida,
Especial para UOL Ciência e Saúde
Cepa da alma. Este é o significado etimológico do nome dado à bebida obtida da fervura das plantas Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis, a ayahuasca, ou hoasca, também conhecida como chá do Santo Daime. Permitida apenas em cerimônias religiosas, o composto tem sido alvo de pesquisas e pode vir a ser útil para o tratamento da depressão e até da dependência química.
O psiquiatra Jaime Hallak, professor da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) - Ribeirão Preto afirma que, apesar desse grande potencial, o que existe de concreto no momento são estudos preliminares que evidenciam alguns benefícios à saúde. “Os modelos experimentais com animais e os relatos esporádicos com humanos sugerem indicações como antidepressivo e ansiolítico”.
Hallak coordena pesquisas que investigam os princípios ativos da ayahuasca, além dos seus eventuais usos clínicos. Parte desses trabalhos prevê a observação de neuroimagens funcionais para identificar as áreas cerebrais estimuladas pela substância.
“Para pesquisadores em neurociências, a ayahuasca é um instrumento poderoso. Como psiquiatra, entendo que ela é uma rica fonte de estudos, especialmente por sua capacidade de provocar alterações nos estados da consciência”, diz.
“A meta é aprender mais sobre a mecânica biológica que permite ao cérebro criar ou modificar seu funcionamento, dando oportunidade ao surgimento dessas alterações”, acrescenta.
Meditação ou alucinação?
Na opinião do médico Wilson Gonzaga, psiquiatra integrante do grupo multidisciplinar do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), responsável pela resolução que regulamentou o uso religioso da ayahuasca no Brasil, essa é uma importante distinção a ser feita. “Ampliar a consciência não significa ter alucinação em seu sentido pejorativo", explica.
Segundo ele, ampliar a consciência é alcançar um estado mental que permite uma reflexão profunda, semelhante à meditação. Já a alucinação é uma percepção alterada da realidade.
Primeiros estudos
O primeiro e maior estudo realizado sobre a bebida, dirigido pelo especialista em ciências botânicas Dennis J. Mackeena, da Universidade de Minnesota (EUA), relatou que a possibilidade de ampliação da consciência já tinha sido observada antes pelo antropólogo Michael Winkelman, ex-professor da Universidade do Arizona, que definiu essa propriedade como "psicointegradora".
Essa pesquisa, publicada pela revista científica Pharmacologics&Therapeutics em 2004, mostrou que o uso da ayahuasca em comunidades religiosas visava também o tratamento de alcoolismo e abuso de drogas. Consta do estudo que a maioria das pessoas com histórico de dependência e recuperação, atribuía ao consumo do chá essa mudança comportamental.
Naquela ocasião, o pesquisador foi prudente em ressaltar que o fato poderia ser resultado do apoio social e do ambiente psicológico oferecidos pelas comunidades. Entretanto, um detalhe não escapou à sua observação: nos quadros de alcoolismo severo, há alterações nos níveis de serotonina. Concluiu-se, então, que fatores bioquímicos ligados à ayahuasca estariam envolvidos na modificação da qualidade de vida dos usuários. Para ilustrar o assunto, Mackeena referenciou uma notícia veiculada pela BBC News, que citava a ayahuasca como coadjuvante da psicoterapia no tratamento de dependências químicas numa clínica do Peru.
As pesquisas em curso hoje buscam saber como os componentes do chá atuam no organismo, qual é o perfil de seus consumidores, e quais são seus efeitos no comportamento e nas habilidades intelectuais e cognitivas, como diz o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). “Sem resposta para essas questões, é impossível reconhecer a existência efetiva desses poderes curativos”, pondera. Apesar dessa convicção, o médico admite que diversas pessoas abandonaram um quadro de dependência química ao ingressar nessas seitas daimistas.
Riscos
Os especialistas são unânimes sobre o fato de que a bebida não deve ser consumida de forma deliberada. “Não é porque uma substância é natural que o abuso está autorizado. Exemplos disso são a maconha e o álcool”, observa Silveira. Como não se conhecem os possíveis efeitos tóxicos da ayahuasca, nem sua ação sobre o sistema nervoso central em formação, a bebida é contraindicada para crianças e grávidas.
De um modo geral, os especialistas contraindicam a bebida para pessoas com transtornos psiquiátricos. "A atenção deve ser redobrada se a pessoa é portadora de esquizofrenia ou transtorno bipolar, pelo risco potencial de agudização do quadro”, completa Hallak.
A ayahuasca também não deve ser consumida por quem usa antidepressivos. O psiquiatra Luís Fernando Tófoli, professor adjunto da Universidade Federal do Ceará (Ufce), e coordenador da Comissão de Saúde Mental da União do Vegetal, declara que existe um estudo que alerta sobre o risco potencial de uma reação grave, potencialmente letal, na interação entre a ayahuasca e certos inibidores de recaptação de serotonina, como o Prozac. Tófoli acredita que a advertência é exagerada, pois nunca se teve notícia de quadros graves. Por outro lado, faz uma recomendação específica: “A bebida jamais deve ser consumida com medicamento conhecido por tranilcipromina, um antidepressivo pouco utilizado, mas disponível no mercado”.
“Pessoas com doenças físicas graves devem receber quantidades reduzidas ou muito reduzidas, porque pode ocorrer aumento leve dos batimentos cardíacos e da pressão, além da ocorrência de vômitos ou, mais raramente, diarreia”, previne, ainda, Tófoli.
Outra precaução apontada por Hallak é evitar a bebida após o consumo de alimentos que contenham tiramina (queijos, chocolates, carnes em conserva, salsichas, bebidas alcoólicas, lentilha, amendoim etc.). A combinação das substâncias pode resultar no aumento da pressão sanguínea arterial. Quanto aos possíveis efeitos colaterais, o psiquiatra diz que as reações mais comuns são náuseas, vômitos e diarreia.
Indagado sobre quanto tempo ainda seria necessário para a conclusão dos estudos e da eventual comercialização de medicamentos à base da ayahuasca, o especialista declara: “É importante que a população entenda que um dos objetivos mais importantes das pesquisas é conferir segurança ao uso dessa substância. Como todos os estudos ainda estão em sua fase preliminar, estimo que ainda deveremos esperar ao menos 10 anos até que os princípios ativos da ayahuasca possam ser comercializados”, avisa.
SAIBA MAIS SOBRE A AYAHUASCA
O que é - A bebida é obtida através da combinação da planta Banisteriopsis caapi (mariri) e outras ervas que são maceradas ou aferventadas, como a Psychotria viridis (chacrona ou rainha)
Como funciona - A atividade farmacológica da ayahuasca é única, pois depende da interação das substâncias contidas nas plantas. A B. caapi contém os alcaloides harmina, tetra-hidro-harmina (THH) e, em menor quantidade, harmalina. A P. viridis, por sua vez, fornece a triptamina alucinógena de ação ultrarrápida, a N-dimetiltriptamina (DMT). A modulação da DMT é promovida pelos efeitos ativos da B. caapi). E essas substâncias têm como função mais conhecida bloquear a enzima monoaminooxidase (MAO), permitindo que o DMT seja absorvido pelo sistema digestivo. Como elas são psicoativas, possuem efeito sedativo semelhante ao harmano (também conhecido como passiflorina, alcaloide presente em uma outra trepadeira da família do B. caapi, o maracujá)
Efeitos - O consumidor do chá pode vivenciar percepções sensoriais sem estímulos externos. Na maioria das vezes, a pessoa permanece consciente de que está sob efeito da ayahuasca, e mantém controle de suas ações. Indivíduos que fazem uso da bebida regularmente descrevem capacidade de maior compreensão de aspectos espirituais de sua própria vida
Tempo de ação - o consumo de 100ml da bebida requer 30 minutos para entrar na corrente sanguínea e atuar sobre o cérebro. Esse efeito pode durar até quatro horas. Já a sensação de bem-estar e tranquilidade costuma se prolongar, segundo usuários
Fontes: Jaime Hallak, professor do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - Ribeirão Preto (FMUSP-RP) e Luís Fernando Tófoli, médico psiquiatra e professor adjunto de Psiquiatria da Universidade Federal do Ceará (Ufce)
retirado de:
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2010/04/26/pesquisadores-testam-beneficios-da-ayahuasca-contra-a-depressao.jhtm
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